sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Recebi por mail há uns dias mas só hoje li.
Achei interessante divulgar esta crónica de Mia Couto que acho nos transmite  bem a actualidade.



Um Dia Isto Tinha Que Acontecer, por Mia Couto


Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Texto de autoria de Mia Couto

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Coisas que já fiz

Ando meio afastada do blogue como já devem ter reparado, mas não podemos ser santos em todos os altares. Com tantas tarefas diárias que tenho alguma fica para trás.
Há alguns dias, andando a dar umas voltinhas aqui em casa, reparei numas peças que já elaborei há bem uns quinze aninhos, quando ainda trabalhava por conta própria, a fazer umas coisinhas de artesanato, para ajudar meu marido nas despesas da casa.
Trabalhei com diversos materiais, desde lã, cetins, fitas, flores artificiais e tantos outros, até que cheguei ao fabrico de flores em papel crepe.
Foi com este papel que adaptei uns botões de flor, parecidos com os de rosas, mas meio estilizados. Então decorava com eles umas cestinhas feitas com paus de canela, que também era eu que as montava com a ajuda de cola quente.
Como já disse já lá vão vários anos e estão meio acabaditas, as flores com as cores desbotadas e a foto que foi tirada com o telemóvel ainda ficou muito menos favorecida.
Ora bem é aquilo que tenho para vos mostrar hoje com todo o meu carinho e recordação daquilo que já foi feito há alguns anos.
Cestinhas feitas em paus de canela, decoradas com flores de papel,
flores secas e ráfia


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Reciclagem de velas

Quando acendemos aquelas velas  cheirosinhas que nos perfumam a casa, sempre sobram uns pedaços de cera que não chegam a queimar. Juntámos, eu e minha filhota, durante algum tempo, alguns restos e na época de Natal lembrei-me de os derreter.
 Como molde usei uma caixa de leite e assim nasceu  uma vela nova.
Dos restinhos da árvore de Natal e do presépio, com uma linha grossa, com cola e purpurinas fiz a decoração da vela.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mais umas fotos

Continuando com coisas que fiz em papel de jornal, deixo hoje a primeira moldura que fiz. Usei uma moldura de compra, das mais baratas de aro estreito, que tapei com canudinhos de jornal. Como gostava do aro mais largo fui aumentando com canudinhos e ficou, quase, como eu desejava. Usei na decoração dois arabescos e um coração. 

*
Estes foram os primeiros porta-chaves que fiz.
As flores já vi vários modelos feitos em diversos lugares da net.
O Coração Atado, assim o apelidei, pois é atado com fios de ráfia,
esse é da minha imaginação.


Bichinhos e coração atado.

Aqui estavam feitas as peças mas sem terem sido ainda montadas.
*
Bom dia e até breve.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O meu presépio do Natal de 2011

A pedido de uma das minhas filhas, fui comprar umas asas brancas de anjo e uma aureola para o JP ir vestido de anjinho à festinha do infantário. As asas eu comprei mas a aureola não havia. Resultado: Meti mãos à obra e com arame, canudinhos de jornal, cola e purpurina dourada inventei a dita cuja que faltava.
Quando andava à procura do arame ali no armário dos "bagulhos", encontrei um quadrado de uma tela, do tipo serapilheira e fiquei a olhar para ela.
Porque a aureola foi feita a partir de um circulo imaginei que podia fazer uma estrutura de arame para fazer uma árvore de Natal a partir de um circulo idêntico à aureola. Se melhor o pensei... melhor o fiz. Fiz o cone em arame e forrei com a tal tela do tipo serapilheira. Depois com um danoninho fiz o pé da árvore e com uma linha grossa de croché, embebida em cola branca e passada na purpurina, enrolei-a em espiral à volta da árvore. No topo tinha que ter uma estrelinha. Recortei-a num pedacinho de papel, passei cola e purpurina e ficou uma estrelinha toda janota.
Sobrou ainda um bom pedaço da tela e imaginei fazer um anjinho para ficar no presépio, que já tenho há alguns anos.
Cortei o anjinho e fiquei a medir a quantidade material que ainda tinha. Dava para fazer mais uns três ou quatro anjinhos, mas eu não queria mais nenhum.
- Bem, Maria Clementina há tanto tempo que pensas em fazer um presépio, porque não aproveitas o balanço e o fazer agora?
Fiz então o dito cujo e só no fim terminei o anjo, que tinha sido o primeiro a nascer.
Usei só material que já tinha sido usado e outro, que eram sobras de quando eu fabricava artesanato.
Poderia ter ficado mais elaborado mas como usei cola quente, não o fiz cosido com linhas, ficou muito simples. Não me importo, gostei do que fiz e um dia se der, com mais calma e mais tempo, eu faço outro mais bonito.
Não está muito perceptível, mas deve dar para entenderem o que é a árvore e o que é o presépio

Meu presépio em outro cenário................... /........................  Árvore de Natal

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Guardanapeiro e argolas para guardanapo em papel de jornal

Como já falei atrás, não gosto de "copiar na integral" coisas, que outras pessoas tenham feito, por isso procurei usar o enrolamento dos canudinhos de modo que tivessem uma forma diferente no final. 
Aqui trabalhei o papel em formas rectangulares e quadradas e fiz decoração com nó também de canudinhos.


Na continuação dos trabalhos em papel de jornal

Suporte pequeno para garrafa, suporte de porta-copos
e guardanapeiro de argolas pequeno em papel de jornal.

Guardanapeiros em argolas e o preto em formas rectangulares
em papel de jornal

Comecei a explorar várias formas de trabalhar os rolinhos de papel de jornal.
Fiz rolinhos enrolados com palito de churrasco e outros com um arame mais fino.
As tintas para colorir são do tipo aguarela porque  prefiro que se veja que o trabalho é feito com papel de jornal. Gosto de ver letras e pedacinhos de imagens coloridas do papel de jornal. Também já usei tintas de artesanato para coloriir opaco, que para determinados objectos também fica interessante. No final dou acabamento com verniz cerâmico, comprado na loja de Fios de Alfazema, que dá um acabamento muito bonito, realça as cores usadas, endurece bastante o papel e isola o papel.